PROVA CONTRARIA
PROVA CONTRARIA
Casa nova, vida nova. A compra de um apartamento significa a realização de um sonho, mas nem sempre é assim. Mudar pode ser traumático também. É quando separamos passado de presente, descobrimos coisas que estavam perdidas, liquidamos assuntos pendentes. Nos defrontamos com nossos fantasmas e medos. Prova contrária, de Fernando Bonassi, é uma novela sobre este ponto de mutação: do que fomos e do que nos tornaremos.
Num texto hábil e instigante, mais uma vez Bonassi oferece ao leitor um surpreendente exercício de estilo, marca que o coloca como um dos mais inventivos e ousados escritores de sua geração. Nessa novela, ele transita com mestria por várias linguagens, valendo-se de sua vasta experiência no cinema, no teatro e na literatura.
Ao iniciarmos a leitura de Prova contrária, somos convidados a participar de um curioso jogo cênico. Com sua linguagem sofisticada e uma habilidade muito particular de construir narrativas fragmentadas, Bonassi cria um verdadeiro caleidoscópio literário.
Primeiro um fato: em 1995, o então presidente da República sanciona uma lei que reconhece como mortas as pessoas desaparecidas em razão de participação ou acusação, em atividades políticas, no período de 1961 a 1979, assumindo a responsabilidade do Estado brasileiro pelas arbitrariedades cometidas por seus agentes, bem como prevendo a indenização financeira aos familiares das vítimas.
Dessa situação surge um personagem: uma mulher, numa sala de um apartamento, envolta por caixas de mudança que precisam ser desfeitas. O segundo personagem surge da lembrança dessa mulher: dele é preciso dizer que sumiu há muitos anos. Numa esquina em 1974. É a mulher que conversa com um homem, é o homem que dá sua versão para os fatos, é o passado que se mistura com o presente.
Com sua carpintaria requintada, Bonassi constrói uma história engenhosa e original. Naquele espaço novo, onde caixas se amontoam, "uma viúva sem defunto" repensa sua vida. O marido considerado oficialmente morto e um apartamento próprio. Foi preciso perdê-lo definitivamente para ganhar um teto? Que ironia era essa? E se ele voltasse para lhe dizer que estava vivo? Que abandonara a luta? Que aqueles sonhos não valeram de nada. Tudo fora uma ilusão. Seria uma possibilidade. Aquele homem poderia ser também o seu imaginário. Um necessário acerto de contas de uma relação que chegara ao seu fim. Seria a hora dela lhe contar tudo: as incansáveis buscas, a dor, a carência afetiva, a saudade, a traição. Há, no entanto, uma outra versão para a presença dele naquela casa. Mas isto ficará a cargo do leitor. O que sabemos é que: até que se prove o contrário, todas as possibilidades são factíveis – ou não.
| Editora | OBJETIVA |
| ISBN | 8573025239 |
| Autor(es) | BONASSI, FERNANDO |
| Edição | 1º Edição |
| Páginas | 100 páginas |
| Ano de Publicação | 2003 |
| Acabamento | BROCHURA |
| Coleção | Não Disponível |
| Dimensões | 21 x 14 (Altura x Largura) |
| Peso | 156g |




