COM OS MEUS OLHOS DE CAO
COM OS MEUS OLHOS DE CAO
A novela Com os meus olhos de cão representa a ponte entre a literatura dita "séria" e a "obscena" e ocupa posição-chave na obra em prosa da escritora
Como esclarece na nota introdutória ao livro o professor Alcir Pécora, organizador das obras reunidas da autora publicadas pela Editora Globo, Com os meus olhos de cão se situa entre a novela A obscena senhora D e o romance O caderno rosa de Lori Lamby, podendo ser visto como uma ponte, portanto, entre a literatura dita "séria" e a dita "obscena", como Pécora prefere caracterizar, em oposição à idéia de que a autora teria escrito literatura pornográfica.
Em Com os meus olhos de cão nos encontramos com uma autora absolutamente madura, orquestrando com vigor todos os domínios técnicos da escrita. Como já se sugeriu, a prosa de Hilda é poética, o que se evidencia em qualquer fragmento do texto, que mistura poemas, diálogos e prosa propriamente dita. Retomando recursos anteriormente já experimentados, a autora também multiplica os narradores, tornando ambíguos os enunciadores e criando relações fantasmáticas entre eles, podendo inclusive se replicar em diversos alter egos. O leitor tem que estar atento, pois a passagem de um narrador para outro ou entre presente e passado não é efetuada por procedimentos óbvios da prosa, cabendo ir desmontando, frase após frase, os enunciadores.
O enredo, mesmo singular, cede passo à própria construção lingüística radical (ao se permitir todo tipo de liberdade: ortográfica, de pontuação, acentuação...), que é o fundo em que ele realmente se escora. Conta-se a história de Amós Kéres, 48 anos, professor universitário de matemática, que passou por uma experiência de iluminação no alto de uma colina e, em sua busca de auto-entendimento, é tomado por louco pelo senso-comum social ao estampar, desde então, um novo e intrigante sorriso. Sua grande descoberta: ''o universo é obra do Mal e o homem seu discípulo''. Escarnecendo do ambiente universitário, da família, da esposa e da ''crionça'' que deseja abandonar, ou imaginando viver de modo indecente e obsceno como outra saída para seu dilema (que é, em última instância, ''existir e nada compreender''), o narrador retorna à casa materna, onde passa a viver num quintal com uma cachorra abandonada. Encenam-se, também, as hipóteses de seu suicídio, seu assassinato e sua condenação por enforcamento por ter tentado se matar, estando o leitor ainda longe de conhecer o desfecho que o texto lhe reserva e da plena compreensão de que Deus é ''uma Superfície de Gelo Ancorada no Riso''. Afinal, o que está em pauta é a idéia de que a possibilidade de iluminação passa pela admissão do grotesco e risível da condição humana.
| Editora | GLOBO |
| ISBN | 8525041009 |
| Autor(es) | HILST, HILDA |
| Edição | 2º Edição |
| Páginas | 96 páginas |
| Ano de Publicação | 2006 |
| Acabamento | BROCHURA |
| Dimensões | 20.8 x 12.2 x 0.7 (Altura x Largura x Comprimento) |
| Peso | 129g |




